O mesmo acontece constantemente na Avenida São Cristóvão. A impaciência continua levando o cidadão a colocar a vida em risco para andar menos e ganhar míseros minutos no dia a dia
Bastam cinco minutos observando a Avenida Centenário, nas proximidades do Victória Center, para flagrar pelo menos dez pessoas atravessando a via por baixo da passarela. O mesmo acontece constantemente na Avenida São Cristóvão. A impaciência continua levando o cidadão a colocar a vida em risco para andar menos e ganhar míseros minutos no dia a dia.
Nem mesmo quem já sofreu acidente de trânsito resiste à tentação do caminho mais curto. A universitária Sophie Faye, 22, foi atropelada na Avenida Luís Eduardo Magalhães – Paralela – há cerca de três anos, todavia continua a se arriscar entre os carros. “É sem pensar, a correria diária faz isso. Essa passarela [que liga o Shopping Barra ao Victória Center] é muito longa, e o trânsito é lento na rua. Só passo quando vejo que não vem nenhum carro”, justificou.
“É errado, mas acho algumas passarelas muito altas. Tenho os ossos fracos, asma, então é muito penoso pra mim. Dar uma corridinha – quando não há risco – não tem problema. É só prestar atenção e calcular direito. Tem lugar que não dá pra ficar parado enquanto vê a pista com poucos carros e a passarela lá longe”, tentou explicar o técnico em mecânica Sebastião Dias, 32.
De acordo com o Setor de Estatística e Acidentologia (Seac) da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), as principais vítimas de atropelos na capital baiana têm entre 30 e 59 anos. Neste primeiro semestre de 2016, dez pessoas desta faixa etária foram vítimas fatais de um total de 142 atropelados.
Instrutor de trânsito de uma auto escola localiza no Centro Empresarial Iguatemi, Paulo Lima avalia este tipo de cidadão como imprudente. “Quem age assim não pensa em si, muito menos no outro. No trânsito, seja condutor ou pedestre, todos são responsáveis por manter a segurança. Uma atitude impensada do passageiro, bem como do condutor, pode levar à acidentes gravíssimos”, destacou.
Os locais que registraram o maior número de atropelos este ano foi a Avenida ACM (19), seguido da Av. Afrânio Peixoto – conhecida como Suburbana – (16) e Av. Vasco da Gama (15). No ano passado, a Suburbana ficou no topo da lista com um total de 35 vítimas de atropelo, sendo que dois vieram a óbito.
Os locais que registraram o maior número de atropelos este ano foi a Avenida ACM (19), seguido da Av. Afrânio Peixoto – conhecida como Suburbana – (16) e Av. Vasco da Gama (15). No ano passado, a Suburbana ficou no topo da lista com um total de 35 vítimas de atropelo, sendo que dois vieram a óbito.
Década Mundial
Apesar de ainda ser grande o número de cidadão que ignora passarelas e sinaleiras para transitar entre os carros, a quantidade de atropelos este ano reduziu em 34% ante 2015. De janeiro a junho do ano passado, a Transalvador contabilizou 580 atropelos. Já no mesmo período deste ano o quantitativo reduziu para 381.
Apesar de ainda ser grande o número de cidadão que ignora passarelas e sinaleiras para transitar entre os carros, a quantidade de atropelos este ano reduziu em 34% ante 2015. De janeiro a junho do ano passado, a Transalvador contabilizou 580 atropelos. Já no mesmo período deste ano o quantitativo reduziu para 381.
“Esse número é reflexo das nossas ações positivas e importantes para o comportamento do condutor. Queremos diminuir mais, por isso temos uma fiscalização efetiva na parte de educação, para que o condutor se sensibilize e reduza sua agressividade no trânsito”, afirmou a gerente de Educação para o Trânsito da Transalvador, Mirian Bastos.
Conforme explicou a especialista, intensificar as ações educativas faz parte da Década Mundial de Ações Para a Segurança do Trânsito, campanha realizada pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). “O órgão nos orienta a fazer ações compartilhadas, em parcerias com outras organizações. Temos campanhas educativas a cada dois meses. No São João realizamos uma campanha forte de sensibilização”, informou.
“Mas, se tratando de acidentes, pra gente ainda é um número que precisa ser reduzido. Acidente de trânsito é entendido como problema de saúde pública. Muitos problemas que ocorrem é devido à agressividade, porque alguns condutores não estão tendo equilíbrio emocional no trânsito. Nada adianta se o cidadão não se sensibilizar para mudar esse comportamento. Nosso grande desafio é sensibilizar o condutor”, finalizou Mirian Bastos.
Fonte: https://www.tribunadabahia.com.br/2016/06/29/pedestres-ignoram-passarelas-em-salvador